Prêmio Paes Leme: Professor Jessé é reconhecido pelo trabalho de décadas como médico

“Não fiz mais que a obrigação!”

O resumo do Professor Doutor veio logo na resposta à primeira pergunta em entrevista feita para registrar a homenagem a ele pelo Prêmio Paes Leme da SMCC 2019. O médico ao ser perguntado sobre como via a longa carreira que construiu não quis contar detalhes ou registrar lembranças. Apenas afirmou que serviu e assim era o que deveria ter sido feito.

Formando de 1963 pela USP, fez residência em ginecologia e obstetrícia pela mesma Universidade. Quando na UNICAMP, o Professor Bussâmara Neme o colocou para atuar no corpo clínico do então recém criado Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade.

Foi em 1965 quando este se tornaria um dos Departamentos de maior destaque do campus. Hoje funcionando no Hospital da Mulher “Professor doutor José Aristodemo Pinotti” (CAISM). Dr. Jessé chegou a ser Diretor Clínico do CAISM; sendo um dos fundadores da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC). O prédio da entidade na Rua Delfino Cintra teve o professor como um dos fundadores. Seu nome está registrado na entrada da sede.

Além de diversas ações inéditas, o grupo que contava com uma lista de importantes médicos criou setores, serviços e viagens de estudo como foram batizadas, na época, as incursões Brasil e países afora para cursos. Foi então que o Professor Jessé atuou no curso sobre Fisiologia da Reprodução em Salvador (Bahia), sob a direção do Prof. Dr. Elsimar Coutinho.

O início da carreira o consolidaria como médico atuante e professor conhecido por quase todos os formados desde então.

O Dr. Jessé assim somou uma carreira de 42 anos pela UNICAMP e outros 37 anos de PUC Campinas. Não deixou a profissão até pedirem para aposentar primeiro pelo Estado em 2008. Depois, as aulas pela PUC Campinas foram dadas até final do ano passado.

Aos 80 anos, com três filhos e cinco netos o médico ainda atende alguns pacientes em consultório.

“Vi quando o serviço saiu da Santa Casa e mudou para Barão Geraldo, virando o CAISM. O que eu vejo de lá pra cá é o que costuma acontecer com qualquer serviço que é penalizado pela própria competência. Quanto melhor, mais gente aparece”, comentou o professor sobre o Departamento ter se tornado referência no serviço de saúde no Brasil e pela quantidade de pacientes atendidos hoje pelo CAISM na UNICAMP.

O Dr. Jessé de Paula Neves Jorge também comentou na entrevista sobre o Sistema de Saúde no Brasil. Ele o vê como um sistema que carece de mudanças desde quando começou a atuar na medicina.

“É mal organizado e desperdiça muito profissional e material. Teoricamente deveria funcionar como acontece em alguns países. Mas, não acontece!”, finalizou.

Quanto a atuação do médico diante deste cenário completou:

“Sozinho o médico não faz nada, então precisa de estrutura. Agora o paciente precisa aprender a usar o SUS, é uma questão de disciplina de todos , incluindo a do médico. Deveríamos prevenir e não tratar somente a doença. Mas, teríamos que mudar a cultura”, concluiu o professor.