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30 Março 2021
Especialistas defendem testagem precoce para Covid-19 no XX Fórum da SMCC

Medida, que já havia sido discutida em fóruns anteriores, ganhou força com atualização de guia do Ministério da Saúde

Com base em uma atualização do guia de vigilância do Ministério da Saúde, especialistas que participaram ontem à noite da 20ª edição do Fórum da SMCC (Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas) defenderam a realização precoce do exame Rt-PCR para detecção do coronavírus. A medida, que já foi defendida várias vezes em edições anteriores do evento no ano passado, voltou a ganhar destaque no atual cenário da pandemia como uma das alternativas que poderiam ajudar a evitar a contaminação.

Confira os detalhes
Assista ao fórum na íntegra, no canal da SMCC no Youtube - CLIQUE AQUI

De acordo com o epidemiologista da Faculdade São Leopoldo Mandic, Dr. André Ribas de Freitas, um dos convidados, o teste realizado precocemente, já no primeiro dia de sintoma, poderia evitar a volta do paciente ao serviço de saúde, uma nova exposição da equipe de saúde ao vírus e a sobrecarga do serviço de saúde, além de permitir que medidas, como o isolamento do paciente e de seus contatos, fossem tomadas antecipadamente. “Nós já sabemos que 50% da transmissão ocorre antes do início dos sintomas. Como o paciente procura o serviço de saúde no 2º ou no 3º dia de sintoma, cerca de 70% da capacidade de transmitir já aconteceu”, disse. Por este motivo, além do exame precoce, ele também defende que os contactantes do paciente iniciem o isolamento já na suspeita da doença, como vem recomendando desde o ano passado.

O coordenador do Departamento de Patologia da SMCC, Dr. Cesar Alex de Oliveira Galoro, explicou mais uma vez que estudos mostram que a carga viral do coronavírus já é alta a partir de um a dois dias antes do início dos sintomas e que após o início dos sintomas, ela começa a declinar. “Tem tanto a importância do diagnóstico precoce como a testagem no momento do pico da carga viral, que vai dar maior positividade para o teste”, diz. “Para o coronavírus, quanto mais a gente espera para fazer o teste, menor a carga viral e maior a chance de ter um resultado negativo”, completa.

Diante da explanação, o diretor comercial e marketing da SMCC, Dr. Marcelo Amade Camargo, que modera os Fóruns, questionou sobre a eficácia do PCR feito em amostra de saliva e se os testes vendidos em farmácias são tão eficientes quanto os Rt-PCR por swab da nasofaringe, realizados em laboratório.

De acordo com Dr. Galoro, os testes realizados em laboratório são coletados em estruturas diferentes e, portanto, do seu ponto de vista, são mais seguros que qualquer um obtido em farmácias. Sobre utilizar saliva como amostra, comentou: “O primeiro estudo que a gente tentou fazer em laboratório não validou. A saliva tinha uma sensibilidade menor do que o swab da nasofaringe. Cerca de 10% dos casos não eram detectados na saliva”.  Ele completou que um outro estudo também mostrou a sensibilidade menor da saliva, mas que já há estudo que mostra que os dois exames são comparáveis. “Eu, pessoalmente, não valido. Ainda preferiria fazer a coleta da nasofaringe sempre que possível”, afirma.

O evento contou, ainda, com a participação da presidente da SMCC, Dra. Fátima Bastos, da diretora do Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde) de Campinas, Dra. Andrea Von Zuben, e do secretário de Saúde de Campinas, Dr. Lair Zambon. Também estiveram presentes o Dr. Carlos Arca, diretor-presidente da Rede Mário Gatti; o Dr. Rene Penna Chaves Neto, diretor-presidente do Hospital Mun. Walter Ferrari, de Jaguariúna; o Dr. Admar Concon Filho, presidente do Hospital e Maternidade Galileo, de Valinhos; Dr. Marcos Miele, diretor-presidente do Hospital Maternidade de Campinas; Dr. Ubertinele Fraga, diretor médico do Hospital Santa Tereza, e Dr. Antônio Gonçalves, superintendente do Hospital de Clínicas da Unicamp. Como convidado especial, o Dr. Antônio Eiras Falcão, que falou sobre novos protocolos da Unicamp.

Giro nos Hospitais

Como nos eventos anteriores, os representantes dos hospitais fizeram uma explanação sobre a situação de cada um deles no atual momento.

- Dr. Rene Penna Chaves, de Jaguariúna – “Basicamente, só mudam os nomes das pessoas internadas. O número de pacientes continua o mesmo”. O hospital tem 15 leitos de UTI homologados, mas está com 18 pacientes internados. Além disso, 10 leitos de retaguarda do Pronto-Socorro foram transformados em UTI. Portanto, do total de 30 leitos de UTI, 28 estão ocupados. “Pouco menos da metade, com menos de 55 anos”, destaca. Ele também informou que precisou emprestar o medicamento rocurônio de um município do Estado de São Paulo para o fim de semana, mas que conseguiu fazer uma nova compra.

- Dr. Admar Concon Filho, de Valinhos – Ele contou que o Hospital e Maternidade Galileo aumentou de 10 para 20 o número de leitos de UTI na semana passada, mas que todos estão lotados. Na enfermaria, o aumento foi de 33 para 38 leitos, com uma taxa de ocupação oscilando entre 95% e 100%. “Grande parte do tempo com 100% de ocupação”, afirma. Com o aumento de leitos, diminuiu o número de pacientes no Pronto Atendimento em respirador. “Nós ficávamos com vários pacientes no Pronto Atendimento, até pacientes intubados, no respirador, aguardando vaga da UTI. Chegamos a ter até seis pacientes intubados no respirador, oito pacientes aguardando enfermaria. Hoje nós estamos com três pacientes no Pronto Atendimento em respirador”, comenta.

- Dr. Carlos Arca, da Rede Mário Gatti – “A situação da Rede Mário Gatti se mantém, com nível alto de ocupação, beirando os 100% todos os dias”, diz. Os 108 de UTI adulto estão ocupados e os 155 leitos de enfermaria, também. “O que chama atenção é que nós temos, fora de leito de UTI e de enfermaria, mais 147 pacientes, destes 31 em ventilação mecânica”, comenta. Ele também destacou a ocupação dos leitos pediátricos. “Nós temos 100% de ocupação da UTI de pediatria e da enfermaria pediátrica, também já represando crianças no Pronto-Socorro Infantil, ou seja, coisa que nós não vimos no ano passado em relação à pediatria, estamos vendo este ano”, compara. “São casos respiratórios, pouquíssimos confirmados como Covid”, completa.

- Dr. Marcos Miele, do Hospital Maternidade de Campinas – “Nós temos seis leitos na UTI, hoje temos quatro pacientes intubadas, duas gestantes e duas puérperas. Na UTI neonatal, nós temos quatro recém-nascidos Covid positivo, provenientes dessas mães que internaram nesse período”, conta. “No final da semana retrasada, nós tivemos o primeiro óbito materno na Maternidade. Era uma diabética tipo 1, de 28 anos. Ela estava muito descompensada e evoluiu muito rápido. Ficou na UTI por sete dias, conseguimos fazer o parto dela no momento oportuno, o seu recém-nascido está na UTI, mas ela veio a óbito”, lamenta.

- Dr. Ubertinele Fraga, do Hospital Santa Tereza – O hospital tem 41 pacientes Covid, desses 21 estão na UTI, sendo 10 com ventilação mecânica. Outro ponto destacado por ele é que, dos 41, apenas três têm acima de 70 anos. “A grande maioria é de 40 a 60 anos”, afirma.

- Dr Antônio Gonçalves, do HC da Unicamp – Ele lembrou que foram abertos 56 novos leitos de enfermaria. Com esse aumento, a enfermaria estava com 75% de ocupação ontem. Dos 40 leitos de UTI, 39 estavam ocupados. O Pronto-Socorro está se mantendo com 9 a 10 pacientes intubados, além disso, há sete pacientes intubados em enfermaria. Também registrou um aumento de casos respiratórios em crianças. Nos próximos dias, o HC deve abrir mais 10 leitos de UTI. Ele também citou que a fala dele no último Fórum da SMCC, de que o hospital só tinha rocurônio para mais seis dias, desencadeou uma série de ações internas, que culminou no desenvolvimento de um novo protocolo. Mesmo com a redução do uso do medicamento, o estoque atual é de três dias. Ele disse que a preocupação atual é com a atropina. “Nós estamos com um estoque perigosamente crítico. Hoje, o Mário Gatti nos socorreu, emprestando ampola”, diz. Segundo ele, caso isso não tivesse ocorrido, todas as cirurgias eletivas do HC seriam suspensas para preservar a assistência aos pacientes críticos, já que sem a atropina, não é possível fazer anestesia geral.

Status Atual

A Dra. Andréa Von Zuben - diretora do DEVISA Campinas - fez uma apresentação sobre o cenário geral de Campinas. Ela destacou um aumento muito expressivo de número de sintomáticos respiratórios atendidos nas últimas semanas. Segundo ela, monitorar este tipo de caso ajuda a prever a gravidade. “Quando a gente começa a ter uma alta circulação viral, a gente começa, obviamente, a ter mais pessoas acessando as unidades básicas. Em pouco tempo, essas pessoas agravam e vão precisar de internação”, comenta. Outro ponto destacado por ela foi o aumento de óbitos na cidade. Em janeiro, foram 188; em fevereiro, 226; em março, já são 391.  Em sua apresentação, ela também mostrou dados sobre o agravamento dos casos, faixas etárias mais acometidas, tempo médio de internação, entre outros. Ela também fez um balanço da vacinação em Campinas.

O Secretário de Saúde de Campinas, Dr. Lair Zambon, disse que tem se agarrado à estabilização da regulação de internação, com um fator relativamente positivo entre tantas situações difíceis. “Bem alta, mas, de qualquer maneira, ela parou de fazer aquele crescimento exponencial muito significativo que aconteceu há 10 dias”, afirma.

Novos protocolos no HC

O intensivista Dr. Antônio Eiras Falcão, da UTI do HC da Unicamp, explicou o novo protocolo adotado pela instituição para o uso racional de sedativos e medicamentos para ventilação mecânica. A medida foi adotada, principalmente, por causa do baixo estoque de medicamentos, falta de previsão do recebimento de novas remessas, custos elevados dos medicamentos, consumo elevado de bloqueadores neuromusculares e falta de bombas de infusão.

Os primeiros dados já mostraram uma redução significativa no uso de alguns medicamentos, como, por exemplo, o rocurônio (um relaxante muscular), cujo consumo diário, na última semana, baixou de 424 para 202 ampolas. Ele explica que as mudanças não causam qualquer prejuízo ao paciente, que é monitorado diariamente. O novo protocolo está sendo discutido com outros serviços hospitalares, inclusive através do núcleo médico montado pela SMCC, que também podem se beneficiar das mudanças.

A ideia de compartilhar protocolos para melhoria da qualidade da assistência ao paciente crítico também foi acatada e será divulgada pela SMCC.

Encerramento

O fórum foi encerrado pela presidente da SMCC, Dra. Fátima Bastos, que lembrou que o evento é um espaço para todos compartilharem informações e se ajudarem. “A proposta desse Fórum é a união e a solidariedade de todos. Estamos todos no mesmo barco. O Covid é o nosso inimigo comum, não tem outros problemas que sejam superiores a ele neste momento em todos os hospitais”, finalizou

Os Forum anteriores podem ser conferidos 
No canal da SMCC no Youtube https://cutt.ly/xxu8q5O
E podcast no Spotify https://cutt.ly/bxu4Cho

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